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Alternativa Barata ao Zapier: as Contas que Ninguém Mostra

Task, credit e execution não são a mesma unidade, e é aí que a fatura cresce. Preços verificados de Zapier, Make e n8n, e o cálculo que decide a mudança.

NBNelson Barbosa
2026-09-197 min de leitura
Alternativa Barata ao Zapier: as Contas que Ninguém Mostra

Task, credit e execution não medem a mesma coisa

A comparação de preços entre plataformas de automação é enganadora porque cada uma vende uma unidade diferente, e essas unidades não são convertíveis entre si. O Zapier cobra por task. Uma task conta sempre que um Zap completa uma acção que move dados. O detalhe que muda as contas: triggers, filtros e ferramentas internas não consomem tasks. Um Zap com trigger, dois filtros e uma acção conta uma task por execução, não quatro. O Make cobra por credit, e um credit é consumido por cada módulo que executa dentro de um cenário. Triggers contam. Filtros contam. Routers contam. O mesmo fluxo que no Zapier custava uma task pode custar quatro credits no Make. O n8n cobra por execution no plano cloud: uma execução completa do workflow, independentemente de quantos nós tenha. Um workflow com quarenta nós consome uma execução. É por isso que comparar o preço por unidade sem olhar para a forma dos fluxos dá resultados errados nos dois sentidos.

Os preços, verificados

Os valores abaixo são os preços de lista consultados em setembro de 2026, em dólares, que é a moeda em que as três plataformas publicam. Mudam com frequência: confirme na fonte antes de decidir. O Zapier tem um plano gratuito com 100 tasks por mês. O Professional começa em 29,99 dólares mensais, com 750 tasks, e sobe por escalões até dois milhões de tasks por mês. O Team ronda os 69 dólares em faturação anual. O Make tem um plano gratuito com 1 000 credits. O Core fica à volta dos 9 dólares e o Pro dos 16, e todos os planos pagos começam em 10 000 credits mensais. O n8n cloud começa em 20 dólares mensais em faturação anual, com 2 500 execuções. O Pro fica em 50 dólares com 10 000 execuções. O rácio que salta à vista: um credit do Make custa cerca de 0,0016 dólares, uma task do Zapier cerca de 0,04. Vinte e cinco vezes mais por unidade. Só que, como vimos, o Make consome mais unidades pelo mesmo trabalho.

ZapierMaken8n
Unidade cobradaTask (acção)Credit (módulo)Execution (workflow)
Triggers e filtros contam?NãoSimNão
Plano gratuito100 tasks/mês1 000 credits/mêsCommunity self-hosted
Entrada paga29,99 USD (750 tasks)~9 USD (10 000 credits)20 USD (2 500 exec.)
Escalão seguinte~69 USD (Team)~16 USD (Pro)50 USD (10 000 exec.)
Self-hostingNãoNãoSim

Onde o Make ganha e onde perde

O Make ganha claramente em fluxos simples e de volume alto: poucos módulos, muitas execuções. Um cenário de três módulos que corre dez mil vezes por mês consome trinta mil credits. No Zapier, o mesmo fluxo com uma acção útil consome dez mil tasks, que custam substancialmente mais. O Make perde em fluxos com muita lógica condicional. Cada router, cada filtro, cada iterator gasta um credit por passagem. Um cenário com ramos e agregações pode consumir quinze credits por execução sem mover mais dados do que um que consome três. A consequência prática, e é a que quase ninguém diz: no Make vale a pena desenhar os cenários para gastar menos módulos, e isso empurra para fluxos menos legíveis. Está a optimizar o desenho para a grelha de preços, não para quem vai manter aquilo daqui a um ano. O Zapier cobra caro mas cobra de forma previsível. Para uma equipa não técnica que monta vinte automatismos pequenos, essa previsibilidade tem valor real.

n8n self-hosted: o custo real, não o custo do marketing

A Community Edition do n8n é software gratuito, sem limite de execuções nem de passos. O que se paga é o servidor. Para volumes moderados, um VPS pequeno na ordem dos 4 a 7 dólares por mês chega, e é aí que aparece o número que toda a gente repete: automação ilimitada por menos de dez dólares. O número está certo e é incompleto. O que não entra nessa conta: Primeiro, o tempo. Instalar é rápido; manter não. Actualizações, certificados, backups testados, monitorização para saber que o serviço caiu antes de o cliente ligar. Se ninguém na empresa faz isso, o custo não é zero, é o custo de contratar quem faça. Segundo, o dimensionamento. Workflows com processamento pesado, muitos executores em paralelo ou retenção longa do histórico de execuções consomem memória depressa. Uma instalação séria em produção fica bastante acima de um VPS de arranque. Terceiro, a licença. A Community Edition é fair-code, não é MIT. O uso interno na sua empresa está coberto; revender automação alojada a clientes como serviço não está necessariamente. Se o plano é esse, leia a licença antes de construir em cima dela. Dito isto: para uma empresa que corre dezenas de milhares de execuções por mês e tem alguém que sabe administrar um servidor Linux, a diferença face ao Zapier não é de percentagens. É de uma ordem de grandeza.

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O cálculo que decide

Antes de mudar de plataforma, faça esta conta com os seus números em vez de com os do artigo. Conte quantas execuções por mês tem, somando todos os fluxos. Conte quantos passos úteis tem cada fluxo — passos que movem dados, não filtros. Multiplique pela grelha de cada plataforma. Some o tempo de migração, que para uma dúzia de automatismos costuma ser de dias e não de horas, porque as integrações não são equivalentes entre plataformas e há sempre uma que não existe do outro lado. A regra empírica que nos tem servido: abaixo de umas centenas de execuções por mês, a plataforma mais barata é aquela em que a pessoa que mantém aquilo trabalha mais depressa, e a diferença de fatura é irrelevante face ao custo dessa pessoa. Entre alguns milhares e algumas dezenas de milhares, o Make costuma ganhar em fluxos simples. Acima disso, e com competência técnica interna, o self-hosting ganha por margem larga. Há um custo que quase nunca entra na folha de cálculo e devia: a dependência. Trezentos automatismos numa plataforma proprietária são trezentas coisas que não saem de lá sem serem reconstruídas.

Quando não vale a pena sair do Zapier

Dizemos isto a clientes com frequência suficiente para valer a pena escrevê-lo. Se a fatura mensal do Zapier é inferior ao custo de meio dia de trabalho técnico, a poupança anual de mudar não paga a migração. Se quem monta os automatismos é a pessoa de marketing e não há ninguém para manter um servidor, o self-hosting transforma um problema resolvido num problema por resolver. Se os conectores de que depende existem no Zapier e não existem no n8n, vai acabar a escrever chamadas HTTP à mão para ferramentas que antes eram um clique. A maior parte das migrações que recusámos foi por uma destas três razões. A automação certa é a que continua a funcionar quando a pessoa que a montou sai de férias, não a que aparece melhor numa tabela de preços.

Os conectores que não existem do outro lado

A parte da migração que estoura os prazos não são os fluxos complexos. São as integrações que existiam num sítio e não existem no outro. O Zapier construiu a sua vantagem em número de aplicações suportadas ao longo de mais de uma década. Ferramentas de nicho, software de gestão local, plataformas que só têm clientes num país — há muita coisa com conector no Zapier e sem conector em mais lado nenhum. Quando muda de plataforma, cada uma dessas passa a ser uma chamada HTTP escrita à mão contra a API do fornecedor. Isso é perfeitamente viável e é o que fazemos com frequência. O que não é viável é fazê-lo sem contar com o tempo. Uma chamada HTTP exige ler a documentação da API, tratar a autenticação, lidar com paginação, decidir o que fazer quando o pedido falha e testar tudo isso. Onde antes havia um bloco pré-feito passa a haver código que alguém tem de manter quando o fornecedor mudar a API. O teste que fazemos antes de aconselhar uma migração é este: listar todas as aplicações envolvidas nos fluxos actuais e procurar cada uma na plataforma de destino. Se mais de um quarto não tiver conector nativo, o projecto deixa de ser uma migração e passa a ser desenvolvimento, com o orçamento e o calendário que isso implica. Há ainda um detalhe que aparece sempre tarde: os webhooks de entrada. Serviços externos configurados para chamar um URL do Zapier têm de ser reconfigurados um a um, e alguns deles estão em sistemas cujo acesso ninguém na empresa tem já.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é a alternativa mais barata ao Zapier?

Em preço de lista puro, o n8n self-hosted: o software é gratuito e paga-se só o servidor, a partir de uns 4 a 7 dólares mensais num VPS pequeno. Entre plataformas geridas, o Make tem a unidade mais barata. Mas a unidade mais barata não é a fatura mais barata: depende de quantos módulos os seus fluxos executam.

Porque é que a minha fatura do Make subiu sem eu ter mais clientes?

Quase sempre porque alguém acrescentou lógica aos cenários. Cada router, filtro ou iterator consome um credit por passagem. Acrescentar duas condições a um cenário que corre dez mil vezes por mês acrescenta vinte mil credits sem processar um único registo a mais.

O n8n self-hosted é mesmo gratuito?

O software é gratuito e não limita execuções. O servidor, os backups e o tempo de manutenção não são. Além disso a Community Edition é fair-code e não MIT: o uso interno está coberto, revender automação alojada a clientes pode não estar. Se o plano passa por isso, leia a licença antes de construir.

Quanto tempo demora migrar do Zapier para o n8n?

Não há importação automática. Cada fluxo é reconstruído. Para uma dúzia de automatismos simples contamos com dias, não horas, e o tempo vai quase todo para os conectores que existem de um lado e não do outro, que passam a ser chamadas HTTP escritas à mão.

E os dados? Self-hosting ajuda no RGPD?

Ajuda em duas coisas concretas: sabe onde os dados estão fisicamente e reduz o número de subcontratantes a declarar. Não o dispensa de nada. Continua a precisar de base legal, de registo de tratamentos e de medidas técnicas adequadas — e agora é você o responsável pelas cópias de segurança e pelo controlo de acessos ao servidor.

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